A geografia do rugby está mudando


O mês de julho vem apontando mudanças na geografia do mundo do rugby. O Top 14 (Campeonato francês), o Super 15 (torneio do hemisfério sul), nova Magners League (Liga Celta) estão expandindo suas fronteiras.


Os franceses anunciaram agora que permitirão partidas fora do território francês durante o campeonato nacional. O polêmico Stade Français anunciou que jogará uma partida em Bruxelas, Bélgica, país que vem buscando espaço no rugby mundial – para uma seleção de terceiro escalão do rugby europeu, com média de público de 5 mil pessoas nos jogos da seleção é certamente promissor.

O Biarritz Olympique, equipe do País Basco francês, vai repetir aquilo que vem há algum tempo fazendo na Heineken Cup: mandará partidas no País Basco espanhol, na cidade de San Sebastian (Donostia), no estádio Anoeta (cuja capacidade é de 32 mil pessoas). Mais que isso, a partida será contra a outra equipe basca da França, o Bayonne (Aviron Bayonnais). Ou seja, os bascos terão um grande palco para o clássico do rugby local.

Outra equipe que poderá mandar partidas na Espanha é o Perpignan (USAP), equipe da Catalunha francesa, que poderá jogar uma partida em Barcelona.

Tudo isso certamente ajudaria o desenvolvimento do rugby espanhol, que neste ano já deu um importante passo ao criar a Liga Superibérica, com 6 equipes semi-profissionais que poderão em breve se tornar profissionais. Falta ainda, contudo, maior reconhecimento da própria Federação Espanhola e da comunidade internacional (as equipes da Superibérica não foram incluídas ainda sequer na Challenge Cup). No futuro, a competição poderá se expandir para Portugal, mas isso depende de maior entendimento da Steelman Sports (organizadora do certame) com a Federação Portuguesa e seus clubes.

Pelos lados do Hemisfério Sul, a novidade é a expansão tão esperado do Super 14, que virará Super 15 em 2011. Há muitos anos a expansão vem sendo discutida. Infelizmente, a idéia inicial de incluir equipes argentinas não vingou ainda, seja por falta de habilidade (ou interesse) da união local, seja por resistência sobretudo dos neozelandeses, a despeito do apoio sul-africano aos nossos vizinhos. Cogitou-se também inclusões de equipes de Estados Unidos, Canadá e Japão, mas nenhuma foi levada adiante. Mas ao menos a expansão virá, assim como um novo modelo de competição.

As 15 equipes serão divididas em 3 conferências com 5 equipes cada: 1 para as equipes sul-africanas, 1 para as australianas e 1 para as neozelandesas. Ou quase isso. A Austrália hoje conta com apenas 4 equipes, e tudo leva a crer que a nova franquia seja Wallabie. Mas isso não foi garantido pela SANZAR (órgão responsável pelo torneio), e as inscrições estão abertas.

Os concorrentes para a nova franquia são, pela Austrália, as cidades de Melbourne – franca favorita, mas que pode ser prejudicada pela falta de interesse do público local pelo rugby, já que os melbournianos são aficionados por outro esporte, o Futebol Australiano – e a Gold Coast (Queensland).

Pela África do Sul, concorrerá uma equipe da região denominada SEC (Southern and Eastern Cape), com sede em Port Elizabeth. Trata-se da mesma região que concorreu a uma vaga na última expansão, sob o nome de Southern Spears, carregando a bandeira do rugby “negro”, isto é, de uma equipe formada por atletas negros.

Nesta nova expansão, a franquia terá outro nome, já que a equipe que fora formada para concorrer pela expansão de 2006 sofreu com graves problemas financeiros e teve sua vaga julgada no Superior Tribunal de Justiça da África do Sul. Possivelmente a nova franquia será denominada Southern Kings e, caso vença, jogará na conferência australiana.

O outro concorrente é Samoa. A opção de expansão pelas ilhas do Pacífico Sul também foi frequentemente levantada. Uma candidatura única (dos Pacific Islanders) não saiu, mas Samoa apresentou a sua. É duvidoso que a nova franquia não seja australiana. Contudo, o simples fato de ser cogitada seriamente uma expansão para fora dos três grandes países do hemisfério já é válida. Ainda assim, esperamos que a expansão prossiga para além dos três bastiões do sul.

Já a Magners League, a Liga Celta, que reúne equipes da Irlanda, Escócia e País de Gales, nos últimos anos também esteve cogitando sua expansão. Incluir equipes como o London Welsh (segunda divisão inglesa) ou o London Scottish (que já esteve na Premiership) já foram pensadas e ainda não descartadas.

Porém, a próxima expansão, de 2010-11, será para a Itália – o que torna a liga “menos” celta. Ao que tudo indica, 2 italianos ingressarão no torneio, como parte do plano da Federação Italiana de melhorar o nível da seleção nacional. A princípio, foi pensado em se fazer duas equipes que fossem selecionados dos principais atletas italianos, sediadas ou em Milão, Roma ou em Treviso. Mas, por enquanto, as franquias candidatas à expansão são uniões de clubes (ou clubes mesmo), em processo semelhante ao ocorrido durante a criação das 5 franquias galesas no lugar dos clubes existentes.

Concorrem para as vagas italianas os Aironi del Po, união dos clubes do Viadana, Gran Rugby e equipes menores do norte; os Duchi Nord Ovest, união de Calvisano e Parma; Praetorians Roma, formada por Capitolina, Rugby Roma e S. S. Lazio; SPQRugby também baseada em Roma mas com grande apoio de L’Aquila; e o Benetton Treviso, maior clube do país que ou se canditará sozinho, ou dentro de uma aliança com os demais clubes do Vêneto (Padova, Rovigo e Veneza), que ainda não se organizaram em torno da candidatura de I Dogi, o selecionado vêneto.

Seja como for, apesar de ser o decreto de morte do Super 10 (Campeonato Italiano), quem sabe a entrada de superequipes italianas na Magners League, que tenham o poder de atrair grandes públicos (o que o Super 10 não tem) seja o impulso definitivo para o crescimento do rugby italiano?

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2 Respostas

  1. Muito bom o texto.

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