Atlas do Rugby: Curitiba e Perpignan


Nesta edição, as histórias de Curitiba Rugby Clube, maior representante do estado do Paraná e o Perpignan, tradicional equipe francesa, na fronteira com a Espanha

Curitiba Rugby

Nome: Curitiba Rugby Clube

Cidade/Estado: Curitiba/PR

Títulos: Campeão brasiliero 2ª divisão (2005); Liga Sul (2005, 2006); campeão paranaense (2006, 2007, 2008, 2009)

Site: www.curitibarugby.com

 

Maurinho (respeitável senhor Mauro Callegari), era ex-jogador de rugby da Federal Rugby Clube em São Paulo. Recém – casado com Mônica, ele estava afastado dos treinos de Rugby, fato que se deve a não existência de um time em Curitiba. Mônica, arquiteta, tinha Lalo (Eduardo Laguarrigue) como seu chefe e, um dia, comenta do interesse do marido pelo esporte. Lalo foi capitão de um time em Tucumã, Argentina durante um tempo. Decide então marcar um almoço entre eles para mesma semana. Conversa vai, conversa vem, discutem sobre as possibilidades de se montar um time na cidade. Metas traçadas. Dezembro de 1981, Praça Oswaldo Cruz, a bola oval é então “apresentada” para a cidade.

Os primeiros treinos iniciaram em 1983, no Parque Barigui. No segundo semestre do mesmo ano já tinham um time formado. Para provar que eram capazes de competir, Mauro contactou o seu antigo time de São Paulo para uma partida. Subiram mapa acima e ainda como “Departamento de Rugby do Colorado”, jogaram na terra da garoa. Assim, perante o Departamento da Associação Brasileira de Rugby, foram aceitos no campeonato. Perdem todos os jogos, mas levam para casa o troféu de melhor “Terceiro Tempo” (evento que acontece após as partidas, onde, com muita alegria e descontração, os times cantam, socializam e comentam os principais lances da partida. Organizado pelos “donos da casa”).

Com jogadores mais novos, em 87, a equipe se torna mais competitiva, e em 88 são vices da segunda divisão. Sobem para a primeira em 90. Segundo o veterano Aluisio Dutra Jr., nessa época o time não tinha preocupação em formar um grupo diretivo para o clube. Às vezes alguém se responsabilizava pelos vinte e poucos jogadores e a tabela de jogos. Corriam o Brasil todo com o time.

Em 1992 conseguem uma área para sediar os treinos, o hoje extinto PAVOC – Parque Aquático e Vila Olímpica de Curitba – até a Prefeitura desapropriar o lugar. Uma inundação, na qual a água chegou à metade das traves em forma de H, acabou com o campo e com a continuidade dos treinos.

Os jogadores chegam perto dos trinta anos e, tento outras preocupações (trabalho, família), não tem mais toda a disponibilidade de tempo para os treinos. Entre 95/96 o time teve altos e baixos, passando por vários lugares, clubes e associações. Mas sempre perdiam os lugares onde pretendiam firmar a sede.

Mesmo sem uma estrutura competitiva, o time não saiu de circulação totalmente porque, Mauro, não deixou que isso acontecesse. Representa o CRC na Associação Brasileira de Rugby, acompanha os campeonatos, tabela de jogos e mundiais.

Em 2003, Mauro assume a função de coordenador e marcam, a partir disso, uma reunião. Dez pessoas comparecem. Mas a força de vencer era grande.

O início de 2005 é marcado por várias vitórias. Os Toros são campeões da Segunda Divisão do Brasileiro e da Liga Sul. Voltam os treinos no Parque Barigui, e nos trimestres do campeonato brasileiro, alugam um campo com melhores condições. O time vai tomando corpo e mudanças positivas vão acontecendo. O campo agora é o das Ciências Agrárias da UFPR.

Vence o Desterro depois de oito anos e se torna bicampeão da Liga Sul em 2005/2006. Outra grande conquista foi a organização, realização e conquista das etapas do campeonato paranaense de rugby, difundindo ainda mais o esporte pelo Estado. Contando ainda com equipes de Londrina, Guarapuava, e com mais de um time do próprio CRC, dando chance aos jogadores menos experientes, o Curitiba Rugby conquistou as duas primeiras edições do torneio.

Hoje o clube está juridicamente estruturado. Mantém um grupo de veteranos na direção, com a preocupação nos atletas e nos jogos. O CRC é Declarado de Utilidade Pública Estadual através da Lei 15.149 de 06 de junho de 2006 e 09 de maio de 2007, a Câmara Municipal de Curitiba declara o time de Utilidade Pública, Lei Nº. 12213.

O time passou a contar com equipe feminina a partir do final de 2004 e pouco a pouco as meninas também estão se estruturando e os primeiros resultados apareceram.

 

perpignan

Perpignan

Nome: L’Union Sportive Arlequins Perpignan (USAP)

Cidade/País: Perpignan, França

Estádio: Stade Aimé Giral (capacidade: 13,000)

Títulos: Campeonato francês: 7; Challenge Yves du Manoir (Copa da França): 3

Site: www.usap.fr

O Barça do rugby francês? Se levarmos em consideração apenas os títulos ou o tamanho da torcida, certamente seria um rótulo mais do que exagerado. No entanto, há algo que une FC Barcelona e USAP – ambos são ícones do nacionalismo catalão. Não por acaso, as cores da agremiação (vermelho e amarelo) são as da identidade catalã. Perpignan é a principal cidade da Catalunha francesa, próxima à fronteira com a Espanha. Por lá, não é o futebol que reina, mas sim o rugby (como ocorre geralmente no sul da França), cujo time local vem despontando como uma das principais forças no país dos Bleus.

Com o clube fundado em 1902, os catalães contam com 6 títulos franceses, sendo o último no longínquo ano de 1955. No período do amadorismo, o clube viveu seus anos mais expressivos da década de 10 à década de 50, disputando com freqüência finais. O nome Arlequins vem de um clube que se fundiu ao Unión Sportive Perpignanais, em 1933. O nome derivava do fato de a equipe ser formada por jogadores muito pobres, que não tinham como comprar novas camisas e, por isso, as remendavam, ficando, pois, parecidos com arlequins.

Na era profissional, a equipe voltou a crescer, sagrando-se campeã na temporada 2008/09, em uma histórica final contra o Clermont. Além disso, esteve nos anos anteriores entre os primeiros colocados do Top14, obtendo dois vice-campeonatos franceses e um honroso vice-campeonato da Heineken Cup, em 2003, quando foram derrotados por 22 x 17 pelo Toulouse. Entre os principais nomes que atuaram (ou ainda atuam) pelo Perpignan estão os franceses Thierry Lacroix, Jo Maso, Thomas Lièvremont, Nicolas Mas e David Marty, o romeno Ovidiu Tonita, o samoano Henry Tuilagi, os argentinos Kairelis e Aramburú, o Springbok Percy Montgomery e o All Black Daniel Carter.

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2 Respostas

  1. Francezzz, o Mauro Callegari não jogava pelo time da Universidade Federal e sim pela Federal Rugby Clube, time que se montou com alunos da Escola Técnica Federal de São Paulo e o primeiro jogo do Cutiba (na época Paraná) Federal Rugby Clube, se não estou enganado, pois inclusive joguei este jogo. Abs. Sócio.

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