Falando de Sevens – 27/08/09


O primeiro artigo do Manuel Cabral sobre o Sevens, inaugurando mais uma coluna no Blog do Rugby! É só uma amostra do que vem por aí.

 

Tudo começa na vida, pela intervenção de um indivíduo ou um pequeno conjunto de indivíduos que, pela sua influência, perseverança e entusiasmo, conseguem fazer crescer a semente de qualquer atividade. Foi assim, também, no rugby, a qualquer nível.

Quando William Webb Ellis, em 1823, pegou na bola com as mãos e correu em direção à meta adversária, a história do desporto no mundo mudou. Quando, em 1895, Charles Miller conseguiu juntar um grupo de malucos e pôs o melão a rolar neste país, bonito por Natureza, a semente estava lançada para, depois de 1925, crescer sem parar. Mas hoje, quando o desenvolvimento esportivo é uma aposta de quase todos os países do mundo, conforme as diversas modalidades vão ganhando força e exposição, a verdadeira força por trás daquelas que ganham estatuto e se firmam no ideário coletivo e no plano das competições internacionais, a verdadeira força, dizia, passou a ser a sustentabilidade.

Ou seja, se até certa altura do desenvolvimento de uma modalidade, é o vértice que sustenta a base, a partir de certa altura, tem que ser a base a sustentar o vértice. Por outras palavras, se até certo ponto a visibilidade de uma modalidade é a sua seleção nacional, depois é indispensável que essa seleção seja resultado da prática disseminada da própria modalidade e da visibilidade local que se consegue alcançar.

Numa primeira fase será devido à exposição pública de uma equipe (seleção nacional), que se fará a publicidade e alargamento do número de praticantes por todo o país. Depois, essa equipe passará a ser reflexo e conclusão do trabalho realizado nos diversos locais do país. Só esta fórmula permite que uma modalidade tenha efetiva projeção internacional, trazendo consigo os apoios e recursos de que carece para a sua manutenção. Veja-se o que se passa com o vôlei brasileiro. Tanto em Masculinos, como em Femininos, o Brasil passou muito recentemente por uma grande renovação dos seus (suas) jogadores (jogadoras). E o que aconteceu? Nada. As seleções continuam suas histórias de vitórias, o seu prestígio aumenta dia a dia, e os jogadores que saíram são lembrados sem saudosismos doentios. Por outro lado, os recém chegados, nem parecem calouros, tal a forma como aparecem, a naturalidade com que vestem a canarinha, o respeito que provocam nos adversários.

Num momento em que os olhos do mundo se abrem para o nosso rugby de sete – bastou a inclusão na lista de dois a ser votada pelo COI em outubro – com o próximo Campeonato do Mundo a quatro anos de distância, uns muito prováveis Jogos Olímpicos a sete, e outro Campeonato do Mundo a oito, abre-se um ciclo que atravessa transversalmente duas gerações.

Graças às características próprias da variante reduzida, temos tempo para fazer o trabalho da forma certa. Basta ter uma visão geral do que se pretende, planejar a atividade em função dessa visão, e executar aquele plano como quem se lança para marcar um try.

No próximo artigo vou falar qual é a visão que tenho sobre o que é possível ser feito, e dos objetivos que se podem traçar desde já.

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