Seleção feminina de rúgbi vive amadorismo, mas já fala em medalha


Matéria que foi publicada originalmente na edição de segunda-feira da Folha de São Paulo, e posteriormente publicada no UOL.

“O feminino é uma esperança de medalha, sim. Não tenho nenhuma dúvida disso.” A empolgação é de Aluisio de Oliveira Dutra Jr., presidente da Associação Brasileira de Rúgbi. A um mês da ratificação do rúgbi 7 como modalidade olímpica a partir dos Jogos de 2016, o dirigente vê na repercussão dos Jogos a chance de reestruturar o esporte.

A modalidade 7 é uma versão reduzida do rúgbi, disputado com 15 atletas por equipe. Com a mesma dimensão do campo e regras e pontuação praticamente idênticas, a versão com sete atletas ganha em agilidade, com dinâmica mais compreensiva -além de bastante adequada para a TV.

Enquanto o rúgbi tradicional tem dois tempos de 40 minutos, o rúgbi 7 tem dois tempos de sete minutos -ou dez em fases decisivas, como foi no último Mundial. Assim, um torneio com 24 clubes pode começar e terminar no mesmo fim de semana, com mais de uma partida por dia -o que deve ocorrer nos Jogos Olímpicos.

Seja no rúgbi convencional, seja no 7, o Brasil sofre com a falta de estrutura do esporte, com poucos campeonatos e muito amadorismo. Em caso de uma Olimpíada, a seleção masculina teria um longo caminho a trilhar para conseguir uma vaga (a não ser que o Rio seja escolhido como cidade-sede), atrás de Argentina, Uruguai e Chile. Enquanto isso, o time nacional feminino domina o continente (é pentacampeão sul-americano).

Na primeira edição do Mundial que incluiu as mulheres, disputado em março, em Dubai, a seleção alcançou o 10º lugar -o masculino não conseguiu vaga para participar. No entanto, para completar a verba para chegar aos Emirados Árabes, as meninas tiveram que ser criativas. Venderam um calendário em que posavam em várias fotos sensuais.

Com a participação no torneio internacional, atletas como Natasha Olsen, 31, administradora de empresas, viram aumentar o valor da Bolsa Atleta, programa do governo federal, para R$ 1.500. Ainda assim, a prática do esporte no Brasil é incipiente.

Poucos times conseguem jogar as cinco etapas do circuito feminino de rúgbi 7, disputadas entre setembro e fevereiro. E nenhuma atleta consegue se dedicar só ao esporte. “Hoje é 100% amador, nós precisamos nos preparar inclusive para receber os incentivos de se tornar esporte olímpico”, admite Dutra Jr.

A primeira missão é transformar a associação da modalidade em confederação brasileira, com pelo menos cinco federações estaduais. Só assim a entidade passaria a receber os incentivos do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Dutra alerta para a necessidade de divulgar e desenvolver o esporte em várias regiões. “Queremos criar oito torneios regionais no ano que vem para garimpar novos talentos.”

Se o investimento no rúgbi 7 pode significar ainda mais o ostracismo do rúgbi tradicional no Brasil, o dirigente não deixa dúvidas. “Vamos ser sinceros: o 15 já está abandonado”.

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3 Respostas

  1. Deixa eu ver se eu entendi:
    Nós conseguimos um espaço nobre na mídia, e o sr “Presidente” da ABR diz que o mais tradicional do rugby, a origem de tudo, a categoria principal no mundo, o 15, está… abandonado?
    Como pode o “principal” dirigente de uma futura confederação que brevemente receberá $$$ do COB simplesmente jogar uma pá de cal e “sepultar” para a mídia e para os leigos do rugby, a principal modalidade??????

    Para onde vai a credibilidade de nosso esporte???

    Que feio, hein!!! MAIS uma vez – é uma atrás da outra, assim não dá mais!!!

  2. Outra:

    Quantos disparates, quanta incongruência e contradição!!!

    1. Até algumas semanas, parece-me que a ABR defendia que o “principal” campeonato de rugby no Brasil era um tal de “Super 8”, que tanta polêmica gerou este ano desde o seu primeiro dia, para não dizer das trapalhadas antes do mesmo iniciar. Seria este campeonato da modalidade “abandonada” de 15? Acho que me enganei, deve ser de sevens mesmo, pois com tantos W.O.s quase não se conseguia juntar 15 pessoas em campo, quanto mais 15 por time!

    2. Tive o imenso prazer de conhecer no curso de coaching level one do IRB ministrado por (estes sim excelentes profissionais e batalhadores do rugby) Mille e João Nogueira, certos dirigentes do interior de São Paulo que sempre foram crucificados e discriminados pela atual “alta” diretoria da ABR por praticar outras modalidades com menos atletas do que o 15, pois para se dinamizar o rugby era necessário montar times com menos atletas.
    E agora, quer dizer que os “vilões” aos olhos da ABR passam a ser “heróis”????

    3. Vamos deixar essa palhaçada continuar até quando?????

    Lembremos de uma coisa: O rugby é feito pelos atletas e por aqueles que amam o esporte: somos NÓS que fazemos.
    Sejamos sinceros:
    Vocês se sentem adequadamente representados ???

  3. Esclarecendo:

    Sou um dos maiores defensores do Rugby 7s, a modalidade é fantástica.

    Porém, devemos lembrar o seguinte:

    1. O IRB trata a modalidade como uma VARIAÇÃO do Rugby Union, qualquer um que tenha feito ao menos o RugbyReady (mas que tenha passado no teste rs) sabe disso. Quem não fez, já está mais do que na hora de fazer – jogadores, apaixonados pelo rugby em geral, e principalmente, dirigentes.
    Portanto, mantenhamos a coerência.

    2. Os principais campeonatos do mundo de Rugby são 15 – Top 14, Super 14, Heineken Cup, etc.
    Caso não seja isto, precisamos avisar o pessoal do IRB e dos países que integram os Six Nations, Tri Nations, e os demais eventos e ligas, que eles estão errados.

    3. O IRB envia anualmente VERBA para a ABR para que o Rugby não fique ABANDONADO.
    Se o 15 está abandonado, é porque quem geriu estas verbas não fez seu trabalho, seja por qual motivo fôr – então, a verba deverá estar ainda disponível – inclusive, a verba destinada pelo IRB aos eventos de educação do Rugby no Brasil.

    Sinceramente, se fosse eu quem tivesse assinado a remessa dessa verba para o Brasil, estaria feito louco e bastante preocupado atrás de quem as recebeu por aqui, pois o presidente da ABR diz que o esporte foi ABANDONADO no país. Então… O que foi feito da verba???
    O profissional do IRB deverá ter que prestar contas a seus superiores também – eles são uma entidade séria, e que é auditada.

    Enfim: A alegação infeliz reportada pelo UOL só demonstra que, se o Rugby 15 está ABANDONADO em nosso país, é porque tem gente que NÃO ESTÁ FAZENDO O TRABALHO A QUE SE PROPÔS.

    Vocês acham que o COB destinaria algum centavo ao Rugby brasileiro, com estes antecedentes de gestão??? Quem conhece o Nuzmann sabe o que acontecerá.

    Então… a comunidade do rugby que faça suas escolhas.

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