Crônicas Rugbísticas


Um texto muito bom do João Paulo Minchio, para o Rugby Mania, que merce ser lido. É realmente como um lado B das notícias alarmantes que vemos todos os dias, mas por criarmos uma indiferença em relação às catástrofes que não ocorrem perto daqueles que amamos, não percebemos que de algum modo,  podemos ter relação com o evento.

A grande oferta de notícias e imagens que nos são disponibilizadas diariamente faz com que por vezes, perdemos o fio da meada e não ligamos um fato a outro.

Ontem, por exemplo, os telejornais exibiam (sem se aprofundar muito) os prejuízos humanos e materiais causados por um maremoto no sul do Pacífico. Certamente a maioria dos telespectadores pouco se interessa por um lugar tão isolado. Mas a comunidade do rugby, não.  Oras, as Ilhas dos Mares do Sul são um imenso berçário de talentos de nosso esporte!

O afastamento físico desses lugares contribui em muito com a manutenção da existência de um estilo de jogo em vias de extinção – aquele ousado, espontâneo, meio irresponsável, “ flair style” – ainda presente principalmente no jogo de Sevens de Fiji, Samoa e Tonga. Lá o comum é encontrar crianças, adolescentes e adultos se divertindo com uma bola oval, estando por vezes descalços em áreas improvisadas, sem marcação.

A beira do mar também é um refúgio comum para rugby, que não costuma ter hora marcada. São aspectos muito parecidos com o futebol praticado nas periferias do Brasil. Tanto no caso dos ilhéus como dos futeboleiros brasileiros, seus talentos são requisitados no mundo inteiro. 

Voltando a notícia do maremoto, o golpe foi duro: dezenas de vítimas fatais (ainda em contagem) pessoas desaparecidas e infra-estruturas destruídas principalmente na ilha de Upolu, a mais populosa de Samoa. Especificamente, o local mais atingido foi a localidade de Lalomanu, lugar turístico com belas praias, mas que atualmente conta seus mortos.

Lalomanu é onde nasceu Cencus Johnston, pilar do Stade Toulousain (FRA) e da seleção samoana. Certamente é um ídolo para as crianças e adolescentes que se divertem jogando rugby “por jogar” em seu país. Lalomanu, como não poderia deixar de ser, também tem seu time de sevens. A equipe disputa a National Sevens Series, organizada pela federação samoana de rugby. Os seus talentos não conhecemos hoje, mas poderá, quem sabe, figurar nas telas de TV de todo o mundo tal como fazem por merecer Alesana Tuilagi (Samoa/ Leicester Tigers-ING), Epi Taione (Tonga/Racing Metro-FRA), Seru Rabeni (Fiji/ Leeds Carnegie-ING), Napolioni Nalaga (Fiji/Clermont-FRA)…

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