Porque o Rugby saiu das Olimpíadas?


Amanhã, o Rugby enfrenta uma de suas maiores batalhas desde a sua fundação. Amanhã, não existirão adversários do outro lado do campo, mas sim 106 pessoas que guardam o destino do esporte nas olimpíadas em suas mão. Para o Rugby entrar, precisa de uma maioria de 50% mais um voto, ou seja, 54 votos em 106.

O Rugby, como já sabem, esteve nas olimpíadas de 1900. 1908, 1920 e 1924 , mas depois sumiu. Em momentos importantes como esse, é importante olhar para o passado e ver porque o Rugby saiu dos jogos afinal, para que os mesmos eros não aconteçam novamente.

A verdade é que apesar do Rugby ter muito provavelmente inspirado o Barão de Coubertin a formular os ideais dos jogos olímpicos da era moderna (ele era um grande fã do esporte), os países que dominavam a modalidade nunca se importaram muito com o movimento olímpico, considerando os jogos como uma competição de importância menor.

Nas primeira edição em que participou, apenas a França levou uma seleção. Alemães e ingleses, os demais participantes, levaram equipes locais para representar o país. 

Pior ainda, na edição de 1908, quando a África do Sul recusou o convite para participar, junto com a Nova Zelândia, enquanto Escócia, País de Gales e Irlanda nem ao menos se deram o trabalho de recusar o convite. Na sequência, os franceses também desistiram, alegando não conseguir montar uma equipe competitiva para os jogos. 

Sobrou apenas a Grã Bretanha e a Austrália na competição (nem a medalha de bronze foi disputada). Antes das Olimpíadas, alguns dos melhores jogadores ingleses sairam em excursão para a Nova Zelândia e para a Austrália, e aparentemente, não receberam o telegrama de suas convocações para os jogos. Assim, quem representou os britânicos  foram os campeões locais, derrotados pelos australinaos por 32 a 3.

É o equivalente ao Brasil levar um time do seu campeonato nacional para disputar no lugar da seleção, inconcebível e desrespeitoso.

Em 1920, os britânicos alegaram que setembro não era uma época adequada para sua participação, e não conseguriam competir em pé de igualdade com as demais seleções.  Itália e Checoslováquia desistiram depois, sobrando apenas a seleção francesa e os Estados Unidos, que levaram um time universitário, e ainda assim, levou o ouro.

Na edição seguinte os americanos levaram novamente, em uma edição que contou apenas com Estados Unidos, França e Romênia. O Barão de Coubertin deixou a presidência do Comitê Olímpico Internacional no fim desse ano, e assim, perdeu o seu principal apoiador. O presidente seguinte Conde Henri de Baillet-Latour não era fã do esporte (ou de esportes coletivos em geral) e tratou de tirar o Rugby da lista já a partir da edição seguinte.

Para ajudar, a IRB não se filiou ao movimento olímpico até 1994, quando enfim foi reconhecida como esporte reconhecido pelo Comitê. A filiação coincidiu com as primeiras movimentações para colocar o Rugby de volta aos jogos.

Hoje, mais do que ideais, os jogos olímpicos são movidos à muito dinheiro, das TVs, patrocinadores, anunciantes, etc, por isso acredito que os mesmos erros não irão se repetir. Ainda assim, deixo registrado o passado para que o futuro veja somente a glória do nosso esporte.

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3 Respostas

  1. Vamos torcer pelo Rugby, agora mais do que nunca.

  2. O que também é ironico para o futebol brasileiro, que apesar de levar uma seleção “oficial” para as olimpiadas nao leva a competição a sério.
    Que os mesmos erros nao sejam cometidos novamente pelo rugby agora que tem uma oportunidade em 2016.

    Vamos ver no que dá

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