Porque o Rugby entrou nas olimpíadas


olympics 

Finalizando o meu terceiro post sobre o Rugby nas olimpíadas (falei antes sobre o passado e o presente do esporte), falo agora sobre o futuro do Rugby nas olimpíadas, a partir do que foi dito durante a apresentação do esporte perante os representantes do COI.

Também indico a principal informação passada aos representantes do COI em cada um dos aspectos de sua apresentação.

É um post bem grande, mas vale a pena ser lido. o Rugby atinge um status sem precedentes na história do esporte no Brasil, e informação é a melhor arma para aproveitar essa oportunidade.

O Rugby foi incluído ao programa olímpico nas Olimpíadas de 2016 e 2020, por um placar contundente: 81 votos a favor e apenas 8 votos contra. Em 2017, o esporte passa por uma avaliação a respeito de sua continuidade.

O comitê mostrou muita segurança ao discorrer por todos os pontos, na curta apresentação a que teve direito.

1) o Comitê da IRB foi composto por Bernard Lapasset, Mike Miller, presidente e secretário da IRB, Agustín Pichot (Argentina) que lembrou das brasileiras em seu discurso, Cheryl Soon (Austrália), Jonah Lomu (Nova Zelândia), Anastassiya Khamova (Cazaquistão) e Humphrey Kayange (Quênia) – o Rugby abraça diversos povos e culturas diferentes, apóia a diversidade)

2) O passado olímpico do Rugby ao mencionar o Barão de Coubertin – o Rugby tem história.

3) O crescimento do esporte na modalidade Sevens principalmente, em países emergentes como Portugal e Zimbábue, saindo dos grandes centros, e a competitividade da modalidade – o Rugby tem público crescente.

4) Reforçaram que o Rugby já faz sucesso em eventos multiesportivos, como os jogos Asiáticos e CommonWealth Games, sem falar que a modalidade estará na próxima edição dos jogos Pan Americanos de 2011, em Guadalajara (México) e nos Jogos Africanos em Moçambique, a ser realizado também em 2011. O formato curto do Rugby Seven é feito na medida para esse tipo de evento e irá com toda a certeza lotar os locais dos jogos. Uma preocupação dos representantes inclusive, foi conseguir o compromisso da IRB de que será feita a manutenção do formato Sevens no futuro, em detrimento de versões com mais jogadores – o Rugby se integra facilmente com o evento.

5) A IRB congrega a modalidade feminina, masculina de Union e de Sevens, em uma única federação, o que facilita a uniformização e aplicação das decisões. Pichot ainda lembrou que a associação de jogadores de Rugby tem voz ativa nas decisões da entidade – o Rugby tem unidade e está aberto ao diálogo com seus praticantes.

6) A IRB se comprometeu a transformar as Olimpíadas no Mundial de Sevens! Para muitos esportes e atletas, os jogos olímpicos são o auge, a consagração do trabalho de uma vida. Os jogos olímpicos são a vitrine do que o esporte produz de melhor em todo o mundo. Ao deixar as olimpíadas como função do Mundial, a IRB, humildemente abre mão da visibilidade de um evento mundial sob a sua batuta, garantindo assim que os melhores do esporte efetivamente compareçam sob os holofotes de outra organização, ao contrário do que ocorreu no passado (e os membros do COI lembraram bem desse passado de rejeição do Rugby pelos jogos olímpicos). Para se ter uma ideia do que isso significa, o COI cogita excluir o futebol (é possível que 2016 seja a última edição), pois a FIFA apóia os clubes e acaba não cedendo os jogadores principais para o evento (jogam sub-23) – a IRB reconhece a importância do movimento olímpico para o desenvolvimento do esporte.

A frase de Jonah Lomu foi enfática: “Nós, jogadores de Rugby, gostamos de medir nossas forças contra os melhores do mundo, é lógico que os melhores vão competir!”, ao ser questionado sobre como garantir que os melhores jogadores participem das Olimpíadas

7) O Rugby, ainda mais na modalidade Sevens, precisa de pouquíssimos investimentos em infraestrutura, dado a quantidade de campos de futebol no país. O COB inclusive, já definiu o estádio de São Januário (do Vasco da Gama) como sede do evento, mas foi cogitada a possibilidade da utilização de 2 campos, é um ponto que não está definido, mas pouco relevante nesse momento.

8) O País de Gales, atual campeão mundial de Sevens, se juntará à Escócia e Inglaterra para formar uma única equipe da Grã Bretanha, e assim garantir a uniformidade da comitiva. Os países jogam juntos em todas as modalidades, apesar das diferenças históricas. Com exceção dos irlandeses, que terão uma equipe própria, é quase como um Lions do Sevens. Difícil vai ser escolher apenas 12 jogadores! – sacrifícios serão feitos em nome dos jogos olímpicos.

9) Formato do torneio: Serão 12 equipes masculinas e 12 femininas, em 2 dias de evento. Um ponto ainda não muito claro, e que foi o calcanhar de aquiles da apresentação, foi divulgar o modo de classificação para as olimpíadas, já que apesar de tudo, o desenvolvimento do Rugby é bem assimétrico. De qualquer forma, firmaram o compromisso de elaborar um modo que inclua todos os continentes. Quem perde são os europeus e os países do Pacífico.

A curiosidade ficou por conta do representante de Fiji no COI que era só sorrisos, já que agora vê seu país com chances de abocanhar 2 medalhas de ouro! (Vijaay Singh, do país, é um dos melhores golfistas do mundo)

Resumindo: Para a IRB, aumentar a disseminação do Rugby em áreas onde ele ainda não tem força. Existem iniciativas nesse sentido na Ásia principalmente, mas deverão ser mais incisivas. Por ser sede do evento, o Brasil deverá receber atenção especial.

A ABR terá MUITO trabalho. Terá que dar subsídios para que as equipes atuais e as que surgirem, possam desenvolver categorias de base, o que implica em formação de árbitros, técnicos, locais com boa condição de jogos,  criar regulamentos bem definidos que guiem as competições e tudo isso no Brasil inteiro. Nos grandes centros, essa realidade é mais palpável e mais fácil de se alcançar, mas não se pode esquecer do Centro Oeste e do Nordeste, onde nascem mais equipes e no Sul, onde a situação é melhor e não por acaso, pipocam equipes. Um artigo do Manuel Cabral, publicado há um mês atrás, é uma leitura obrigatória nesse momento.  

Todos sabemos que só dinheiro não é suficiente, e as iniciativas recentes da ABR  (clique aqui para mais informações relacionadas)publicadas aqui no Blog dão uma indicação que um bom trabalho se inicia.

Buscar apoio privado ou de estatais de longo prazo! As olimpíadas serão aqui, com o Rugby, o Pan terá Rugby, são sem dúvidas ótimas oportunidades para divulgar a marca de empresas. Nas olimpíadas especialmente, o mundo irá assistir à competição. Basta se organizar. Listei alguns pontos importantes para disseminação do esporte, organização, entre outros, em um artigo publicado em julho deste ano.

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