Ambição, responsabilidade, competência


Ambição. Responsabilidade. Competência.

Estes são três dos atributos que se exigem à governança do rugby no Brasil, num momento tão especial como o que estamos vivendo.

Num país com as tradições do Brasil, que nasceu das mãos de um punhado de aventureiros, que cresceu lutando pela sua independência, que se afirmou apenas à sua própria custa, como podem seus dirigentes dizer que não tem possibilidade de competir de igual para igual com os melhores, de subir a escada da fama, de se destacar no Olimpo do desporto?

Li por diversas vezes a afirmação de intenções do atual presidente da Associação Brasileira de Rugby, de que o foco da ABR estava colocado no rugby de sete – …o rugby de XV já era… –  e que, dentro deste, apenas o rugby feminino tinha hipóteses de conseguir uma medalha nos Jogos Rio 2016.

Que me desculpem os brasileiros de nascimento, eu posso ser “gringo”, mas não sou cego, nem parvo.

E estas afirmações do chefe da ABR não passam de demonstração de estultícia, incompetência e falta de ambição.

E só podem ser feitas por quem não quer trabalhar para conseguir atingir um objetivo que está ao seu alcance. Um objectivo que pode ser ambicioso, mas que é, com toda a certeza, viável.

Escrevi nestas páginas, há cerca de um mês, aquilo que penso que pode ser feito em termos de sevens por forma a conseguir o sucesso que (quase) todos ambicionam.

Hoje vou escrever, conforme naquela altura prometi, sobre as questões de ordem administrativa e de organização.

A primeira questão, e que não pode ser mais ignorada, é a transformação da ABR em Confederação, e a criação ou legalização das Federações de rugby estaduais. Que não se caia de novo nos erros do passado, que não permitiram a participação do Brasil nos apuramentos para os campeonatos do mundo de XV de 1987, 1991 e 1995, apenas porque o organismo de cúpula do rugby brasileiro não se encontrava filiado na IRB. E se em 1987 isso não seria tarefa fácil, nos anos seguintes ficou a dever-se exclusivamente à inépcia ou falta de vontade da ABR.

Hoje, sem a referida transformação em Confederação, não será possível receber apoios do COB, que se tornam indispensáveis à evolução que se deve encetar.

Não vou entrar na questão da organização dos Corpos Sociais da nova Confederação, mas vou falar sobre a sua estrutura profissional, pois sem os profissionais adequados, não será possível executar as tarefas que exigem dedicação exclusiva.

Assim, a gestão da Confederação deve ser dividida em cinco grandes Diretorias:

1-Diretorias de Administração, 2-Diretoria de Marketing, Comercial e de Comunicações, 3-Diretoria Técnica, 4-Diretoria de Desenvolvimento e 5-Controladoria.

Sem pretender ser exaustivo, indico algumas das áreas de intervenção das Diretorias:

DADM Gestão de pessoal, gestão financeira, secretaria, arquivos de competições

DMCC Patrocinadores, site oficial, comunicação com as Federações, exposição pública, Clube de Fans, Clube de Voluntários

DTEC Competições, formação, alto rendimento

DDES Apoio a Federações, captação, expansão, rugby juvenil e rugby  feminino

CONT Controlo financeiro e do Plano Estratégico

O que se deve pretender é que a Confederação dirija diretamente a sua maior atenção às competições de âmbito nacional e às seleções nacionais, e deixe as tarefas de base à responsabilidade das Federações, a quem dará todo o apoio possível, em função dos seus planos regionais e dos objetivos por eles definidos.

Assim, e da mesma forma que indiquei para o rugby de sete, deve ser estruturado um quadro de competições regionais de clubes, apurando para um grande campeonato nacional de XV, e formadas seleções regionais que disputem um campeonato inter-regional, de onde surgirá uma verdadeira seleção nacional.

Para que as Federações estaduais possam levar a cabo a sua missão, devem ser municiadas com um orçamento inicial que permita a sua instalação, contratação de um Diretor Administrativo e de um Diretor Técnico, a organização imediata de um quadro competitivo regional, abrangendo o rugby juvenil, os M16, os M19 e o rugby Adulto, tanto masculino como feminino, e a formação de árbitros e jogadores

Num curto prazo de tempo, deve ser elaborado um Plano Estratégico Regional, que virá mais tarde a ser integrado no Plano Estratégico Global, a cargo da Confederação.

E as verbas da Confederação só devem ir sendo libertadas para as Federações, conforme os objetivos traçados no Plano Estratégico Regional e no Plano Estratégico Global venham a ser alcançado. Ou seja, mais recebe quem mais produz e cumpre objetivos.

Se o trabalho for feito, se as Diretorias que venham a ser instaladas entenderem que trabalham para os praticantes e para os fãs, sob a batuta exigente de um Presidente ambicioso, responsável e competente, então afirmo, com a experiência de mais de quarenta e cinco anos ligado ao rugby, a todos os níveis, que sim, é possível ambicionar por um lugar ao sol, não apenas no Rio 2016, como em todas as competições internacionais.

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