São Paulo FC Rugby – notas históricas


Prestes a se sagrar tetra/hepta campeão brasileiro de futebol (hehehe), o São Paulo já possuiu um time de Rugby, com mais êxitos que eu imaginava. Neste post uma reportagem disponível no site SPFCpedia e divulgada pela atuante comunidade  Rugby Brasil no Orkut.

Quem souber de notas históricas sobre o Rugby, divulgue-as! O trabalho de resgate da história do Rugby nacional depende de cada um de nós

O São Paulo Futebol Clube já possuiu uma equipe oficial de rúgbi. O departamento do esporte foi criado em Janeiro de 1983, graças a três atletas praticantes: Miguel Mahfuz, Paulo Eduardo Brejon e Manoel Gomes Silva, que conseguiram convencer o Diretor de Esportes Amadores e o Presidente da época, respectivamente: Paulo Elysio de Andrade e José Douglas Dallora.

Departamento criado, sob diretoria do jornalista Luiz Carlos Ramos, do “O Estado de São Paulo”, e do gerente Carlos Ventura, faltava somente o time (composto de 15 titulares e no mínimo 5 reservas).

Logo, três atletas da Seleção Brasileira que haviam disputado o Sulamericano de 81 já eram tricolores: Jairo Pastorelli, Saulo Kutner e Stravos Panagiotis. Completavam esse primeiro time o argentino Orlando Besoytaorube, Haroldo, Ubirajara, Ronelson, Marco, Roney, Carneio, Vicenzo, Guilherme, Bernard, Fernando e outros. Sob orientação do técnico argentino Luís Novillo.

Com tudo pronto, veio o primeiro jogo treino… E onde seria realizado? No Morumbi, claro. 15 de março. São Paulo FC 16 x 12 Mauá. No domingo seguinte, dia 20 de março, empate contra a FEI (Faculdade de Engenharia Industrial).

O primeiro jogo oficial foi em 26 de março, pela III Copa Itaú de Rugbi, uma espécie de torneio início do Campeonato Paulista da modalidade. Na primeira rodada (e semifinal), o São Paulo venceu a FAAP por 38 a 6. Na final, no mesmo dia, contudo, tropeçou frente aos maiorais, diversas vezes campeões paulistas, seus xarás: do São Paulo AC, popular SPAC (7 x 11).

Passada a fase inicial, o clube adentrou primeiramente na Segunda Divisão Paulista, chamada de Torneio Aberto, e estreou com vitória, em 10 de abril: 26 a 3 na Politécnica. Contudo, mesmo após liderar por boas rodadas o certame, não conseguiu o acesso. A equipe, porém, se redimiu no decorrer da temporada, ao vencer a Segunda Divisão Brasileira, também denominada Torneio Aberto.

Alguns jogos conhecidos dessa conquista: SPFC 16 x 10 Mauá, SPFC 48 x 0 Guanabara (!!!), ambos os jogos realizados no Morumbi. Nessa época também realizou seu primeiro jogo interestadual, contra o Curitiba (então da primeira divisão nacional), vencendo por 9 a 6, em 25 de junho.

Em 1984, em seu segundo ano de atividade, o Rúgbi Tricolor bateu recordes. A abertura da temporada (A IV Copa Itaú, desta vez em jogo único) seria contra o Nippon Country Club, de Arujá, mas com uma novidade. Pela primeira vez seria preliminar de um jogo do futebol profissional. Aconteceu em 1º de abril – e isto não é mentira -, antes do jogo São Paulo x Bahia, pelo Campeonato Brasileiro.

Na hora da preliminar, mais de 15 mil pessoas já estavam no estádio para assistir a peleja inusitada para a maioria dos espectadores. Mas mais que isso, outras três milhões de pessoas assistiram esse jogo, pois houve transmissão pela Rede Bandeirantes para todo o Brasil – A audiência foi excelente, 11,5% em São Paulo. Por este fato, a emissora decidiu transmitir mais jogos do esporte, semanas depois. TV Cultura e TV Globo mostraram “tapes” do jogo do Tricolor nos dias seguintes. Houve até mesmo destaque internacional na imprensa argentina…

Tamanha febre foi despertada não somente pela novidade do esporte, mas também pelo resgate de um grito são-paulino histórico: o Arakan!

Se o time neo-zelandês de rúgbi, o all-blacks, possui a Haka, nós possuímos o Arakan, que se encaixou feito luva como grito de guerra inicial dos nossos jogadores:

Uáique Páique-Cháique
Uáique
Uáique Páique-Cháique
Uáique

Tchen-Gô-Tchen-Gô
Rá-Rá-Rá

Arakan-Baran-Bakan
Arakan-Baran-Bakan
Stuberê-Stuberá
Macambê-Mecambecá
Rico-réco, Rico-rá
Rá-Rá-Rá

São Paulo!
São Paulo!
São Paulo!

Ah, e o resultado do jogo? Vencemos, 10 a 9. Enfim campeões da Copa Itaú. E logo depois, também do Torneio Aberto Paulista.

Por algum motivo que desconheço, o São Paulo não foi promovido à Primeira Divisão Nacional de 1984 (arrisco dizer que existia um confronto contra o pretenso rebaixado, e que tenhamos perdido). Não faz mal. Vencemos novamente a Segunda Divisão, desta vez, invictos.

Em 1985 alçamos metas mais altas. Trouxemos um time francês para nos desafiar, o Barbares Riants. O jogo foi em São Roque, com público considerável (na casa de centenas, rs). Perdemos por 18 a 26, mas valeu muito a experiência. Mais e mais o rúgbi crescia. Já contávamos com 11 jogadores brasileiros selecionáveis, além de três argentinos e um francês, Pierre Chadebech, também de sua seleção.

Ai a coisa já se tornaria apelação com os rivais. Vieram vitórias por 92 a 0 (no ITA, de São José dos Campos) e 85 a 9 (na FEI, no Parque da Anhanguera). Se em território nacional não encontrávamos rivais. Fomos buscá-los na Argentina. Em excursão à Mendoza, na Argentina, disputamos cinco partidas, e vencemos quatro.

Para terminar, ganhamos também, novamente, o Torneio Aberto Paulista (1985) e o Tricampeonato Nacional da Segunda Divisão (Realmente não compreendo e não encontro fontes que digam o porque de tanta segunda divisão seguida!).

Em nova excursão à Argentina, em 1986, e sob nova direção – de outro argentino: Marcelo Martinez Etayo -, nova campanha vitoriosa, embora desconheça os números. O mais significativo desse ano foi a incrível série de jogos invictos: 44 partidas! Ou seja, desde 6 de maio de 1985. No fim, fomos campeões de tudo neste ano. Copa Itaú, Paulista e Brasileiro. E também vencedores do Torneio da Páscoa, que contava com duas equipes estrangeiras, de 1987.

Mas ai veio a queda. Na luta pelo Bicampeonato Paulista, em 1987, o time chegou a final contra o Alphaville. Sua campanha era de 12 vitórias, 24 pontos e 459 tentos assinalados, contra apenas 61 sofridos. As partidas foram realizadas em 25 de julho e 1º de Agosto, com transmissão da Rede Gazeta e TV Cultura.

Duas derrotas nas finais, perda de invencibilidade e perda do título. Voltou então seus olhos ao Brasileiro, agora chamado Taça de Ouro, que valeria vaga ao Sulamericano. Ganhamos o primeiro turno facilmente, com resultados: SPFC 10 x 6 Alphaville, na revanche, SPFC 37 x 7 Bandeirantes, SPFC 49 x 7 Domus, SPFC 21 x 19 Rio Branco, SPFC 18 x 15 Bandeirantes e SPFC 78 x 6 Domus.

Ao fim do campeonato, nos consagramos campeões invictos, e agora, com vaga garantida na Taça Libertadores de Rúgbi!!!*

*Não sei se o nome era oficial, ou se uma metáfora da revista – a linguagem não deixa clara a intenção.

Começamos 1988 com os seguintes placares: 09/04 SPFC 56 x 0 Atlético, 17/04 SPFC 18 x 13 Rio Branco, 30/04 SPFC 54 x 04 Pasteur, 21/05 SPFC 22 x 0 Mauá, 28/05 SPFC 46 x 9 Universitário, SPFC 56 x 0 Medicina. Tropeçamos três vezes, em outra competição, a Taça de Ouro: SPFC 15 x 38 Alphaville, SPFC 16 x 24 Bandeirantes e SPFC 0 x 48 SPAC, mas nada que abalasse a equipe e suas conquistas.

Enquanto tudo ia as mil maravilhas, uma crise estrutural no Rúgbi nacional irrompeu-se. Houve várias cisóes após a desistência de alguns dirigentes e equipes tradicionais. E assim, em meio a confusão política, as notícias do esporte foram rareando, diminuindo em tamanho, até sumir das Revistas do São Paulo.

Logo, no momento, nem teria como dizer se essa história teve um final feliz…

Embora tudo leve a crer que não. *

*Atualizando… Conversando com Luiz Pinga Campos, ex-atleta de rúgbi do SPFC, tomei conhecimento que o esporte foi fechado no clube por decisão executiva, da diretoria. Certamente na troca de mandatos entre Juvenal Juvêncio e Mesquita Pimenta. – Não foram raras as decisões da nova diretoria acabando com feitos da anterior.


Títulos conhecidos*:

Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão “Torneio de Ouro”: 1986, 1987
Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão “Torneio Aberto”: 1983, 1984, 1985
Campeonato Paulista da Primeira Divisão: 1986
Campeonato Paulista da Segunda Divisão “Torneio Aberto”: 1984, 1985
Torneio da Páscoa: 1987.
Copa Itaú: 1984, 1986.

*Pode haver algum engano ou erro nos referentes aos Brasileiros e Paulistas – Realmente não entendi bem as notícias, muitas dúbias e confusas.
***
Fontes:
Revistas São Paulo Notícias, nºs 20-59; 1983-1989
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2 Respostas

  1. O motivo pelo qual o São Paulo nunca foi promovido à primeira divisão foi a política vigente da ABR na época.
    Os ex-presidentes da ABR Willian Rheims (Bill) e Eduardo
    Gouvea (Dado) não gostavam dos jogadores do SãoPaulo
    Eu, Julião joguei no São Paulo de 83 à 87 então eu sei o
    que estou falando . Na época a base do time do São Paulo
    era formada por ex-alunos do colégio Sta Cruz e por ex-
    jogadores do Palmeiras (inclusive eu) , e quem conhece e
    viveu o rugby nessa época , sabe que nós jogadores do Palmeiras não eram bem vistos. O São Paulo nos acolheu e nos deu uma infra-estrutura que passados mais de 20 anos poucos times no Brasil tem . Teve um jogo histórico
    entre São Paulo X Rio Branco que nós estávamos à um try
    da primeira divisão e por causa de uma briga , o referee Brian interrompeu o jogo depois de trocar algumas palavras com o Dado que estava na torcida. Ficou acertado
    então de jogarmos o segundo tempo restante numa segunda-feira à noite para que nós do São paulo não fossemos prejudicados , afinal estávamos apenas à um try
    e tinhamos 40 minutos de jogo. Conclusão , o Rio Branco
    não apareceu , levou um WO .(2 tries). Com essa armação
    não conseguimos o try que precisamos e nem a nossa tão sonhada primeira divisão.
    Abçs
    Julião

    • O que o Julio afirma esta 100% correto, a ABR via com “desconfianca ” um time de brasileiros e ligado a time de futebol, e fez tudo que pode para ‘nao ajudar”, posso falar com melhor conhecimento do caso do Palmeiras… o final da experiencia nao pode ser atribuido somente aos dirigentes da ABR de entao, mas que tiveram grande parte no que aconteceu eu concordo 100%.
      Sinclair

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