Irlanda: Um Caso de Sucesso


A Irlanda é um óbvio caso de sucesso, tanto desportivo como social.

Os Homens do Rugby irlandeses mostraram que as fronteiras religiosas e políticas só existem na cabeça de alguns, e que, havendo um projecto, elas deixam de fazer sentido. Todos os dias, milhares de católicos e protestantes, republicanos do sul da Irlanda, ou súbditos da realeza inglesa, do norte, se juntam nos campos de Rugby, para defender as cores do seu clube, da sua província ou da sua Pátria – todos unidos numa única Irlanda.

A Federação Irlandesa de Rugby (Irish Rugby Union), foi constituída em 1879, nos termos e condições definidos pelas suas antecessoras, a Irish Football Union, e a Northern Football Union.

Estas duas entidades controlavam o desporto em toda a Irlanda, com a Northern a dominar em Belfast, e a Irish a controlar o restante da Ilha. Em 1879, ambas concordaram (I) que passaria a existir apenas uma Federação em todo o território, (II) que Associações regionais (branches) seriam constituídas no Leinster, Munster e Ulster, (III) e que a nova Federação seria controlada por uma comissão de 18 elementos, seis nomeados por cada província.

Em 1896 foi formada a Associação de Connacht, e desde então a Federação Irlandesa – agora com quatro províncias – é controlada por um Presidente, dois Vice-Presidentes, o anterior Presidente (Past President) um Tesoureiro e 19 outros membros.

Nos dias de hoje, existem na Irlanda mais de 60.000 jogadores, distribuídos por 205 clubes – 56 no Ulster, 71 em Leinster, 59 no Munster e 19 em Connacht. A somar a estes números, existem 246 Escolas com equipas de Rugby (Ulster 107, Leinster 75, Munster 41 e Connacht 23).

COMPETIÇÕES
Anualmente, os 48 melhores clubes, divididos em 3 Divisões – 1ª Div. (8+8) 2ª e 3ª Div.(16 cada) – disputam a AIB League e Cup, equivalente aos nossos campeonatos nacionais e taça de Portugal, enquanto isso, os restantes clubes disputam campeonatos provinciais, e os respectivos vencedores lutam pelo título de campeão nacional de províncias. Este campeão tem acesso directo à 3ª divisão nacional, por troca com o último classificado desta divisão. O penúltimo classificado da 3ªdivisão, disputa com o 2º classificado dos provinciais, a manutenção nas provas nacionais.

Fica assim estabelecida a hierarquia do rugby doméstico irlandês, e as vias de acesso entre os seus diversos níveis.

Entretanto, as seleções regionais disputam o Torneio Inter Provincial, e participam da Magners League, da Heineken Cup e Amlin Cup, entre outras competições. De notar que os jogadores escolhidos para as equipas provinciais, ficam “requisitados” aos seus clubes, por toda a época desportiva.
Estas equipas regionais são uma forma híbrida, profissional, entre as tradicionais seleções e os tradicionais clubes.
Cada uma delas mantém uma Academia para jovens jogadores, que, apesar de continuarem a jogar nos seus clubes, são escolhidos para as diversas seleções regionais e nacionais de acesso, na perspectiva de uma carreira que os leve ao Rugby profissional.
A título de exemplo, onze dos actuais jogadores de Ulster, chegaram a essa posição, através da respectiva Academia.

ACADEMIAS
Em termos gerais, as Academias irlandesas são constituídas por dois tipos de jogador. Tipicamente, o jogador de nível 1 tem entre 16 e 19 anos, foi selecionado tendo em conta o seu potencial de vir a jogar rugby profissional, em função de diversos factores, tais como a sua atitude e comportamento, habilidade técnica e táctica, e capacidade física.

Um jogador de nível 2 terá idade entre 18 e 22 anos e recebe um subsídio mensal que lhe permite combinar os estudos com as exigências do programa desportivo, sem necessidade de recorrer a outras formas de obtenção de meios financeiros.
De notar que uma das condições para a manutenção nas Academias, se prende com o sucesso escolar dos jovens jogadores. Sem que esse sucesso seja alcançado, eles não podem continuar a frequentá-las.
Nem todos conseguem chegar ao Rugby profissional, mas aqueles jovens são a nata do Rugby irlandês, e a evolução natural das suas carreiras desportivas, vai levá-los a programas de desenvolvimento a realizar junto das seleções regionais, e, para alguns deles, a contratos profissionais.

Os recentes sucessos da Irlanda, como se vê, são fruto de organização, trabalho e dedicação.

E nós por cá? O que devemos fazer?

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Uma resposta

  1. Acho este o sistema que melhor se encaixa no Brasil, formar equipes de estado(duas ou três dependendo do tamanho do estado), clubes a nível amadador e escolar, Ao adotar esse sistema daremos oportunidade e igualdade para o desenvolvimento e competitividade do esporte no Brasil. Penso que a criação simples de clubes cria a diferença e tende a regionalização , logo não expande as fronteiras do jogo. Esse sistema usado na França ou Inglaterra mostra a perda de potêncial, já na NZ e Africa do Sul se veem o melhor aproveitamento.

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