Retrospectiva 2009 – internacional


Nos últimos dias do ano, temos por tradição avaliar os acontecimentos do ano que passou, ver o que foi bom ou não, e buscar melhorar no ano seguinte. Assim, este post lista alguns fatos importantes que ocorreram no cenário internacional, e o que esperar para 2010.

Irlanda domina o Six Nations 2009

irelandgrandslam2009

Em fevereiro desse ano, os irlandeses começaram o Six Nations de modo arrebatador, vencendo a França em Croke Park (30 x 21), e dando início a uma sequência de vitórias (38 x 9 Itália, 14 x 13 Inglaterra, 22 x 15 Escócia) que o levaria ao título, após a vitória espetacular frente ao País de Gales, que ainda mantinha chances de título, por 17 a 15, calando o Millenium Stadium em Cardiff, lotado como sempre. Ronan O’ Gara virou o jogo nos minutos finais com um belo drop goal, e a essa altura, se o título já estava garantido, o Grand Slam não, e era questão de honra dos galeses estragar um pouco a festa. Assim, Stephen Jones chutou um penal de 48m de distância e a bola ficou a pouco mais de um metro dos paus, garantindo o Grand Slam irlandês, que não vinha desde 1948, e o primeiro título do país desde que a Itália “colher de pau” se juntou às demais 5 nações.

De quebra, Ronan O’Gara tornou-se o maior pontuador da história da comeptição, com 499 pontos, 20 a mais que Jonny Wilkinson, e Brian O’Driscoll eleito o melhor jogador da temporada.

Matéria do Blog do Rugby – o Blog ainda em estágio inicial, cobriu toda a competição, dando uma amostra do que viria em 2009.

Brasil no Mundial de Sevens

Em março todos os olhos estavam postos no 5º Campeonato do Mundo de Sevens, masculino, a na edição inaugural do Campeonato feminino, disputados simultaneamente, no Dubai.

Na competição masculina a eliminação, nas quartas de final, da Nova Zelândia, Inglaterra, África do Sul e Ilhas Fiji, caiu como uma bomba no novíssimo estádio “The Sevens”, especialmente inaugurado para o evento.

O País de Gales, depois de derrotar Samoa e a Argentina, que venceu o Quênia, encontraram-se na final, onde os galeses ganharam por 19-12, levando, ao cabo de 16 anos, a Melrose Cup de volta para a Europa.

Vencedores das edições anteriores: 1993 – Inglaterra; 1997 – Fiji; 2001 – Nova Zelândia; 2005 – Fiji
A prova feminina foi igualmente memorável com as equipes  da China e do Brasil a encher o olho do público, ao lado da Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra. As inglesas eram favoritas, mas não resistiram ao maior poder das australianas, nos quartos de final. Na final, num jogo emocionante, a Austrália confirmou o seu excelente momento, e derrotou a Nova Zelândia por 15-10, no prolongamento, conquistando o Troféu.

As nossas Amazonas tiveram comportamento de mérito, que já lhes valeu um convite para participarem em outros Torneios internacionais de grande prestígio, a que, infelizmente não puderam corresponder, por falta de meios financeiros.

As brasileiras chegaram à final da Bowl, perdendo para a China por 10-7.

Para chegarem àquela final, as nossas meninas derrotaram o Uganda por 12-7, e a Rússia, por 17-12, numa emocionante semifinal, de virada, na “morte súbita”.

Confira mais sobre a campanha brasileira no Mundial desse ano

No próximo post, a retrospectiva nacional, falaremos mais sobre o grande feito das Amazonas.

Tour do Lions pela África do Sul

O mês de maio deu início à mais uma peregrinação dos Lions, pelo hemisfério sul, em busca de desafios. O Lions é mais uma particularidade do Rugby (assim como o Barbarians), onde, a cada 4 anos, uma equipe formada pelas Home Nations (Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales) participam de jogos contra equipes locais e também com seleções.

Tradicionalmente, revezam-se no papel de adversários, os países do Tri Nations, ou seja, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, apesar de já terem enfrentado a Argentina uma vez (quem sabe agora com a Argentina integrando o Four Nations, isso não vira uma disputa corriqueira?).

Dessa vez, os Sprngboks foram os anfitriões, e após vitórias sobre as equipes locais, os Lions sofreram com o jogo forte dos atuais campeões do mundo e sofreram duas derrotas, recuperando-se na última partida, mas mais uma vez perdendo a série. O último tour, em 2005, viu a vitória dos All Blacks por 3 a zero. Mais uma vez Brian O’Driscoll jogou bem, mas a estrela foi Morne Steyn com seus chutes precisos. Os Lions se reúnem novamente em 2013, na Austrália.

Clique aqui para relembrar esse momento

Inglaterra e Japão, as casas dos mundiais de 2015 e 2019

Em Julho, a IRB tomou a decisão inédita em dois sentidos: escolheu a sede das 2 próximas copas do mundo, sendo que uma delas não estará no eixo tradicional do esporte. Trata-se do Japão, sede de 2019. Os japoneses tentaram a candidatura em 2011, sendo derrotados pela Nova Zelândia, mas dessa vez não jeito.

O Japão sediou em junho de 2009 com grande sucesso, a edição Junior do Mundial, e a final da Bledisloe Cup desse ano também foi jogada lá, sob o olhar de 80 mil pessoas. Com certeza será um sucesso de público e de organização, e pode motivar a IRB a definir suas próximas sedes em outros países fora do eixo Inglaterra, Nova Zelândia, França e Austrália. O próximo mundial Junior será na Argentina, país que a princípio entrou no páreo pelos mundiais, mas ficou de fora. Talvez a experiência com o mundial em 2010 a credencie a voos mais altos.

Willie Roos abandona arbitragem após agressão

Em agosto, vimos uma cena lamentável para o esporte. O Rugby orgulha-se de ser um esporte onde o árbitro é efetivamente figura suprema, não se discute com um árbitro em campo, fato que sempre propagamos aos 4 ventos ao explicar um pouco do esporte que amamos tanto aos nosso scolegas, em uma comparação com o modo como os árbitros do futebol são tratados. Pois bem, o Rugby desceu um pouquinho de nível a partir desse mês.

O árbitro Willie Roos abandonou a sua posição como árbitro, tendo como intenção, enviar uma mensagem ao mundo do rugby depois de que um torcedor lhe atirou um copo de bebida no rosto, no jogo  entre os Griquas vs Blue Bulls em Kimberley. Desta maneira, pôs fim a uma carreira de 15 anos com o objetivo de que se escute seu pedido para que volte os valores tradicionais de respeito para com os árbitros. Além disso, já iniciou ações legais contra o agressor.

Um grupo de torcedores dos Griquas culparam o árbitro pela derrota de sua equipe após penalizá-los com dois cartões amarelos nos minutos finais, feito que permitiu aos Blue Bulls anotar e ganhar o encontro por um apertadísimo 25 vs 24.

Em sua carta de renúncia, Roos escreveu que ser árbitro lhe deu muitos amigos e lhe permitiu viajar pelo mundo, mas sua paixão pelo jogo já não é mais a mesma.

Clique aqui para conferir a notícia, publicada pelo Referato Rugby, do Sócio

Harlequins e o sangue falso

Agosto parece ter sido um mês realmente duro para o Rugby. No fim de agosto, o jogador Tom Williams revelou que foi obrigado a mastigar uma cápsula de sangue falso, para permitir a entrada do abertura Nick Evans, a cinco minutos do fim em partida válida pelas quartas de final da Heineken Cup (em abril), contra o Leinster, que acabou vencendo por 6 a 5.

O Diretor da equipe, Dean Richards, foi suspenso por 3 anos do esporte, e o clube, multado em 250mil libras.

Argentina integra a elite do hemisfério Sul

Em setembro, a IRB oficializou algo que já era esperado à muito tempo. Inserir os Pumas no principal torneio entre seleções do hemisfério sul, o Tri Nations, que a partir de 2012 será conhecido como Four Nations. A iniciativa faz parte do programa da entidade que visa inserir os argentinos no cenário internacional, e incluiu o ARC (Americas Rugby Championship) disputado pelos Jaguares, e ainda a inclusão dos Jaguares no Vodacom Cup, tradicional campeonato sulafricano, este último, por iniciativa da União Sulafricana de Rugby. A Namíbia também foi beneficiada pela medida, e com isso só tem a ganhar os torcedores, que verão equipes com bom nível técnico no campeonato.

Para nós brasileiros, a criação do Four Nations, é sensacional, pois nos dará oportunidades anuais de ver os All Blacks, Wallabies e Springboks jogando aqui do lado de casa. Obviamente, será muito difícil conseguir ingressos, já que os argentinos devem estar ainda mais ansiosos que nós em ver a sua equipe jogando, mas mesmo assim, não custa sonhar. Quem sabe não rola um Pumas X All Blacks no Pacaembu?

Clique aqui para conferir a notícia

Rugby nas Olimpíadas do Rio

Em outubro, uma decisão de ouro. O Comitê Olímpico Internacional votou quase por unanimidade pelo regresso do Rugby aos jogos olímpicos, nas edições de 2016 e 2020 pelo menos, na modalidade Seven a Side. A decisão é mais especial ainda para nós brasileiros, que teremos o privilégio de ser os anfitriões desse retorno, e a cidade com certeza ficará marcada no coração dos torcedores e jogadores ao redor do mundo, se conseguirmos criar um espetáculo à altura do evento.

O Rugby é um dos esportes mais populares do mundo, com grandes índices de audiência, e o Seven a side, com seu formato dinâmico e de curta duração, é perfeito para a celebração do esporte nas Olimpíadas, ao contrário da versão de XV. O palco do Rugby no Rio de Janeiro será o estádio de São Januário, e a CBRu já tem uma proposta de sediar o próximo mundial da modalidade, em 2013 na cidade (só que no Engenhão, pelo fato de haver 2 campos) para se preparar para o evento.

Confira a cobertura que o Blog do Rugby deu ao anúncio

Richie McCaw é o melhor do mundo pela segunda vez

Em novembro, Richie McCaw foi eleito por uma comissão formada por ex-jogadores, que avaliaram uma série de jogos de seleções durante todo o ano, como o melhor jogador de 2009, batendo outros craques, como  Tom Croft, Jamie Heaslip, Brian O’Driscoll, Matt Giteau, Fourie Dupreez e François Steyn. É a primeira vez que um jogador recebe essa honraria duas vezes, e houve um certo incômodo em relação ao prêmio, pois muitos davam como certa a eleição de Brian O’Driscoll para o prêmio, após a campanha perfeita no Six Nations e a grande atuação no Tour do Lions, frente a África do Sul.

Clique aqui para relembrar essa notícia

Barbarians vencem os All Blacks

Em dezembro, tivemos a oportunidade histórica de assistir à vitória dos Barbarians sobre os All Blacks, por 25 a 18, algo que não acontecia desde 1973 (o famoso vídeo “maior try de todos os tempos” de Gareth Edwards, é dessa partida). Com um show de Bryan Habana que parece ter guardado todo o seu estoque de tries dos amistosos de novembro para essa partida, com 3 tries. Os All Blacks não cediam tries em solo europeu desde 2007. De modo atípico, os Baabaas foram compostos em sua maioria por jogadores do sul (australianos, sulafricanos e até neozelandeses), enquanto que os homens de preto não colocaram em linha a sua melhor formação, com Dan Carter de fora, e a ausência de sua liderança foi evidente ao longo do jogo.

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2 Respostas

  1. cadé o brasileiro de rugby amazon????

  2. Parabéns pelo artigo, HP!

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