Atlas do Rugby – Especial de fim de ano: Barbarians


Edição especial do Atlas do Rugby! Em homenagem ao ano de 2009, primeiro do nosso Blog do Rugby, o Atlas traz uma equipe muito especial para o nosso esporte: os Barbarians!

Feliz 2010 ao rugby e, claro, aos nossos leitores!

Nome: Barbarian F.C.

Cidade/País: nenhuma/Reino Unido

Site: http://www.barbarianfc.co.uk

O Barbarian Football Club, mais conhecido como Barbarians, ou simplesmente Baa-Baas. Para quem não conhece este que é um dos maiores ícones do rugby union mundial, os Barbarians foram fundados na Inglaterra, no Restaurante Leuchters, no Hotel Alexandra, na cidade de Bradford, Inglaterra, em 1890. Não se trata, contudo, de um clube convencional, tampouco de um time da cidade de Bradford, e nem mesmo de uma equipe inglesa. Os Barbarians foram fundados por um grupo de entusiastas que vislumbravam montar um clube que, ao invés de contar com sede própria e jogadores filiados, convidaria jogadores de todas as partes para jogarem juntos, confraternizarem e celebrarem o espírito do rugby. O maior desses entusiastas foi William Percy Carpmael, o Tottie, ex-jogador da Univerisidade de Cambridge e atleta do tradicional clube Blackheath. Tottie, inclusive, foi o primeiro presidente do clube, tendo assinado a ata de fundação.

Desde o início, os critérios para a seleção dos atletas convidados a vestir a camisa preta e branca são simples: ter um rugby de alto nível e ser respeitado dentro e fora dos gramados. Por isso mesmo, o mote do time é: “Rugby Football is a game for gentlemen in all classes, but for no bad sportsman in any class” – isto é, o rugby  é um jogo para cavalheiros de todas as classes, mas não para um mau esportista de qualquer classe.

A história do time começou antes mesmo da noite no Hotel Alexandra. Após uma breve viagem, em 1889, com o Clapham Rovers, Tottie Carpmael organizou a primeiro excursão de seu selecionado na Páscoa de 1890, antes mesmo da escolha do nome. A viagem pelo norte da Inglaterra fora inspirada pelo tour que o próprio Carpmael fizera em Yorkshire com o time da Universidade de Cambridge. Nesta viagem de Páscoa, o time de Tottie, sob o nome de London Team, derrotou no primeiro jogo o Burton, no dia 4 de abril. No dia seguinte, empataram com o Moseley, com o nome de Blackheath’s Team. No dia 7, derrotaram o Wakefield, com o nome de Southern Nomads. No dia 8 de abril, o time enfrentou o Huddersfield, e obteve um empate, jogando com o nome de Barbarians. Apesar das partidas da Páscoa de 1890, oficialmente o primeiro jogo dos Baa-baas foi contra o Hartlepool Rovers (vitória por 9 x 4), em partida realizada em 27 de dezembro de 1890, isto é, após a fundação oficial do time.

Com o tempo, os Barbarians consolidaram uma agenda composta por 6 partidas: quatro jogos na Páscoa (o Easter Tour), no País de Gales, contra Penarth, Cardiff, Swansea e Newport; uma partida no Boxing Day, contra o Leicester (Tigers); e um jogo na primavera conhecido como Mobbs Memorial Match, contra um selecionado das East Midlands (hoje, o Mobbs Memorial é disputa também contra Northampton Saints ou Bedford Blues, variando a cada ano). Em 1948, os Barbarians foram convidados para jogar contra a Austrália, inaugurando uma tradição de jogos do time contra seleções nacionais – até então, os Baa-baas só haviam jogado uma vez contra uma seleção, em 1915, contra o País de Gales, vencendo por 26 x 10. O jogo foi o último do tour australiano pelas Ilhas Britânicas. A partida ficou conhecida como Final Challenge, e se tornou uma tradição para Austrália, África do Sul e Nova Zelândia quando visitam as Home Nations (Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales). Dentre os Final Challenges mais famosos está o de 2008, contra a Austrália, na reinauguração do estádio de Wembley. Tal partida foi também uma comemoração aos 100 anos dos Jogos Olímpicos de Londres (de 1908), que tiveram o rugby como modalidade olímpica. Na final daquele torneio, a Austrália derrotara a seleção britânica (representada pela Cornuália), na disputa pelo ouro olímpico. Ao longo dos anos, os Barbarians também passaram a enfrentar outras seleções nacionais, tendo inclusive jogado contra os Leões Britânicos (British and Irish Lions), em 1976.

Dentre as lendárias partidas disputadas pelos Barbarians, a mais relembrada e sensacional talvez tenha sido o histórico Final Challenge de 1973, contra os All Blacks (Nova Zelândia), no Cardiff Arms Park (País de Gales). O jogo terminou em 23 x 11 para os Barbarians – a primeira das únicas 2 vitórias do time sobre os neozelandeses -, e o público presente fora contemplado com o try que é considerado por muitos o mais belo de todos os tempos, de autoria do half galês Gareth Edwards, a favor dos Baa-baas.

Hoje, o time pode ser considerado uma verdadeira seleção mundial, condição essa adquirida sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, quando os Barbarians passaram a jogar grandes partidas contra os melhores times do mundo. Dentre as tradições do clube estão os famosos meiões. Cada atleta veste um meião diferente, podendo ser das cores de seu pais, de sua província, ou de seu clube, atual ou onde começou.

Um dos ideais máximos do clube é de sempre dar espetáculos vistosos, apresentando um jogo ofensivo, rápido e habilidoso, sem compromisso com ganhar ou perder, uma vez que, acima de tudo, os jogos dos Barbarians são grandes festas do rugby. Dezesseis jogadores foram recentemente escolhidos pelo clube como os maiores que já vestiram a prestigiosa camisa preta e branca. São eles:

Bill Beaumont – segunda linha inglês dos anos 70 e 80;

Phil Bennett – abertura galês do final dos anos 60 e anos 70;

Zinzan Brooke – terceira linha neozelandês dos anos 80 e 90;

David Campese – ponta australiano dos anos 80 e 90;

Gerald Davies – ponta galês dos anos 60 e 70;

David Duckham – centro inglês dos anos 60 e 70;

Gareth Edwards – scrum-half galês dos anos 60 e 70;

Mike Gibson – abertura/centro irlandês dos anos 60 e 70;

Jeremy Guscott – centro inglês dos anos 80 e 90;

Andy Irvine – full back escocês dos anos 70 e 80;

Jack Kyle – abertura irlandês dos anos 40 e 50;

Jason Leonard – pilar inglês dos anos 90 e 2000;

Michael Lynagh – abertura australiano dos anos 80 e 90;

Cliff Morgan – abertura galês dos anos 50;

François Pienaar – terceira linha sul-africano do final dos anos 80 e anos 90;

Philippe Sella – centro francês dos anos 80 e 90.

Entretanto, tantos outros jogadores brilhantes defenderam o tradicional selecionado, e jogar pelo time é um dos maiores momentos para qualquer jogador de rugby.

Os ideais dos Barbarians se difundiram por todo o mundo, e outros “Barbarians” foram criados. Os mais conhecidos são: os South African Barbarians (criados em 1960, tendo sido o primeiro time multiracial do país); os New Zealand Barbarians (criados em 1937); e os French Barbarians – ou Barbarians Français, os famosos Barbarians franceses, nascidos em 1979.

Tais ideais também chegaram ao Brasil, e serviram de base para a criação do São Paulo Barbarians (SP Barbarians), um clube fundado por estrangeiros de diversos países residentes na capital paulista, que se uniram para jogar rugby, abrindo as portas, não só para os “gringos”, como para os brasileiros interessados no esporte.

Para completar, o Barbarian F.C. (os originais) já realizaram empreitadas no Seven-a-side, tendo disputado torneios importantes pelo mundo, como o tradicional Hong Kong Sevens.

Anúncios

2 Respostas

  1. No que diz respeito a equipas Barbarians pelo mundo fora, há que respeitar a seguinte divisão: existem centenas de equipas que utilizam aquele nome como forma de homenagear os “originais”, não mantendo com eles, no entanto, nenhuma relação “institucional”. E existem nove equipas Barbarias no mundo, oficialmente reconhecidas pelos velhos Baa-Baas, entre as quais as referidas South African Barbarians, New Zealand Barbarians, French Barbarians, e – acrescento eu – os Portuguese Barbarians, de que tive a honra de ser fundador e primeiro Chairman.
    Para selar aquele reconhecimento oficial, os originais deslocaram-se a Lisboa, onde disputaram o Lisbon International Sevens, e onde se realizou um banquete oficial de “aceitação”.
    Como Chairman de um dos nove clubes Barbarians, fui um dos convidados de honra do jantar oficial do Centenário da equipa, no Hilton de Londres, onde me sentei na mesa de honra, ao lado do então presidente dos French Barbarians.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: