Entrevista com Maurício Coelho


Técnico da Seleção Brasileira de Rugby Sevens fala sobre o Circuito Brasileiro de Rugby Sevens.

Maurício Ferreira Coelho, técnico da Seleção Brasileira de Rugby Sevens, fala sobre a evolução da modalidade reduzida no Brasil, sobre a estrutura dos campeonatos e as expectativas para o futuro da Seleção Brasileira.


CBRu- Qual o significado do Circuito Brasileiro de Rugby Sevens, e como você viu essa edição de 2009/10?

Maurício- O Circuito Brasileiro de Rugby Sevens é uma competição muito recente no Brasil. Após o fim do 7’s de inverno (Campos do Jordão, Atibaia, São José) há 5 anos atrás, foi possível criar um circuito com etapas mensais, intitulado Circuito Brasileiro.

Trata-se de uma competição muito importante para o desenvolvimento do rugby olímpico nacional, porém, precisa ainda de muito empenho e organização para alcançar condições ideais. Quando falo em condições me refiro à estruturas básicas para torneios de âmbito nacional. Os pontos mais críticos e de grande necessidade de mudança são aqueles ao alcance dos clubes que organizam as etapas, como oferecer um campo oficial em condições padrões (determinadas pela CBRu), o respeito às regras do circuito no que diz respeito à tabelas, regularização da participação das equipes, controle dos atletas participantes. Podem parecer coisas sem importância, mas que são essenciais para o prestígio de um circuito nacional.

Atualmente temos equipes espalhadas em todo o território nacional, que naturalmente tem grande dificuldade de participar de todas as etapas, visto que o deslocamento é muito grande e financeiramente inviável para a maioria dos times. Portanto, devemos buscar soluções para que todos tenham acesso ao circuito, com propostas de regionalização e divisão de fases dentro da competição.

Passamos neste momento por uma fase de evolução do nível de jogo, onde despertamos interesse de equipes de fora do país a participarem do nosso circuito na busca de jogos de alto nível. As expectativas para o circuito nacional são grandes, assim como as necessidades. Temos a certeza de que o trabalho sério e organizado dos clubes, aliado à uma boa estruturação e suporte da CBRu, levará o Circuito Nacional de 7’s ao patamar que ele merece e que todos nós acreditamos.

CBRu- Como se deu a evolução das equipes no Rugby Sevens?

Maurício- As equipes que participam do torneio (tanto as tradicionais quanto as mais novas) vem demonstrando uma crescente compreensão sobre o jogo de 7’s. A estrutura defensiva, grande pilar estratégico do 7’s, está a cada dia mais evoluída nas equipes nacionais. A parte técnica logo aparecerá como fator limitante aos clubes que já apresentam um padrão tático em campo.

A diferença entre as melhores equipes e as que ainda não tem um grande desempenho é a manutenção deste padrão durante toda a partida e no torneio. Ainda fogem das propostas facilmente, o que leva à uma maior exposição repetidas vezes. Porém, acredito que o 7’s está evoluindo muito e, inevitavelmente, as equipes vão observar a necessidade de uma preparação técnica e física maior para que as propostas táticas não fiquem só nas preleções antes dos jogos.

CBRu- Como foi a atuação de atletas da seleção no CBRS?

Maurício- A atuação dos atletas da seleção no circuito de 7’s ainda é muito discrepante. Alguns atletas mais novos atuam no circuito de forma a desenvolver habilidades que são exigidas na seleção, outros com mais experiência, buscam acertar suas funções táticas dentro da equipe como forma de desenvolvimento. Ou seja, o circuito é muito importante para estes atletas, que devem além de mostrar serviço e desenvolver seu jogo, saber lidar com esta responsabilidade da consciência de ser jogador da seleção e ter um rendimento e comportamento compatível com sua condição.

CBRu- Quais são os próximos passos da Seleção Brasileira?

Maurício- A seleção agora entra em uma fase “extra campo”. Os jogadores estão se preparando fisicamente para a próxima fase de torneios, com treinos diários de musculação. Seguem praticando as ações técnicas dentro de campo nos treinamentos de XV em cada clube e nas atividades da seleção nacional de XV. O foco da CBRu agora está voltado ao XV que tem uma importante tarefa à frente, no sulamericano 2010.

CBRu- Quais são suas expectativas para a Copa do Mundo de Rugby Sevens de 2013 e para as olimpíadas de 2016, no Rio.

Maurício-A Copa do Mundo de 2013 e as Olímpiadas de 2016 no Rio representam grandes sonhos do rugby brasileiro. Nossa atuação nestas competições, e até mesmo nossa participação, dependerá de como vamos trabalhar até lá. Temos consciência das dificuldades que vamos encontrar pela frente, dos desafios que devemos superar e estamos muito focados nestes objetivos.

Já nos próximos 12 meses teremos momentos de grande importância ao rugby 7’s. A preparação ao sulamericano de 2011 (janeiro de 2011), que será a seletiva para o Pan de 2011, será um termômetro para os desafios que virão pela frente. Será necessário muito trabalho, investimento e dedicação para que as coisas aconteçam da melhor forma para o Rugby Brasileiro. Estamos trabalhando para isto e acredito pessoalmente que temos grande chances de conquistar esta vaga neste primeiro grande evento da década.

Fonte: CBRu

3 Respostas

  1. ola!
    queria saber se poderiam lançar numa próxima entrevista, as atividades, talvez até tabeladas, dos jogadores da seleção, em períodos de competições e fora delas, talvez com eventuais diferenças entre forwards e backs, e num futuro mujito próximo também, a a alimentação dos atletas.
    As atividades tabeladas: tiro, escada, se musculação, qual grupo, com qual frequencia e etc.
    MUITO GRATO
    Paulo Yoo- ponta- MED-RUGBY

    • Paulo, a entrevista foi feita pela própria CBRu na verdade. Seria muito interessante mesmo saber mais a respeito de a quantas anda o preparo dos jogadores da seleção, para termos uma base de comparação e buscarmos nós mesmos a excelência que os nossos representantes conseguiram. Vou sugerir uma matéria para o pessoal da CBRu.

      Na parte da nutrição, a nutricionista da seleção escreve no Rugby Spirit, do Portugal e do Putim, e de vez em quando comenta sobre como é a suplementação e alimentação. Ela escreveu um post recente, mas faz algum tempo que não tem material novo, mas recomendo uma olhada lá.

      Abs
      HP

  2. Olá pessoal,
    li a reportagem do estadão( dia 07.03 ) e quero sugerir que
    tem muito brasileiro bom jogando na europa!!!
    como por exemplo no clube de rugby-Mantova ( Italia ) entrem no site deste clube…
    é só buscar estes brasileiros para jogar na olimpiada em 2016 para o Brasil fazer bonito!!!! e ser tão bom quanto no futebol!!!
    abraço
    Carmen

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