Rúgbi em 3-D em Londres no uol


Matéria publicada no UOL, sobre o jogo Inglaterra X Irlanda em 3-D. Deve ser fantástico.
Bruno Freitas, Em Londres (Inglaterra)

Uma das mais recentes novidades na relação entre tecnologia e esporte é a transmissão de eventos do gênero em salas de cinema preparadas para exibição em 3-D (em três dimensões). No último sábado, em Londres, a reportagem do UOL Esporte teve o privilégio de participar de uma sessão exclusiva de uma partida de rúgbi e descreve a partir de agora a experiência de ver a ‘pancadaria’ de um clássico da modalidade transportada praticamente para diante de seus olhos.

A transmissão da partida válida pelo tradicional torneio Six Nations (Seis Nações) é anunciada em um cinema próximo de Picadilly Circus, ilustre região turística de Londres. Na porta, a reportagem é convidada a testemunhar o evento, o segundo de rúgbi em 3-D na história – o primeiro havia sido no começo do mês, na mesma cidade.

Este repórter, que sempre achou do rúgbi um esporte plasticamente bonito, mas um tanto enfadonho, relutou de início. Mas, num segundo pensamento, decidiu que a experiência poderia ser interessante, pensou que ela poderia acrescentar algo para quem trabalha com esporte diariamente. “Pode render uma matéria, quem sabe”, pensou consigo mesmo.

Ingresso comprado por 12,50 euros (cerca de R$ 35,00, pela cotação da semana), é hora de se acomodar. As pessoas começam a ocupar os confortáveis assentos e, em instantes, a sala está lotada. Antes da transmissão, uma vinheta descontraída avisa o público sobre o verdadeiro espírito da experiência.

“Por favor, a transmissão já vai começar. Deixem os seus celulares… ligados! Vocês não vão ver um filme, vão assistir a uma partida de rúgbi. Tratem de fazer barulho, fazer deste cinema um estádio”, diz a vinheta de apresentação do evento em 3-D, com narração aos berros.

Aos poucos, o público do cinema vai se adaptando à proposta. Um punhado de irlandeses canta junto o hino nacional de seu país. Em seguida, a maioria inglesa faz barulho com o ‘God Save the Queen’. Oficialmente, é o início de duas horas de puro barulho.

É raro na sala quem não empunhe um copo de cerveja. Os vendedores da bebida estão espalhados estrategicamente pelos cantos, prontos para não deixar ninguém na mão. No jogo, o equilíbrio incita os fãs a proferirem sem parar os tradicionais come on (“vamos lá”, numa tradução livre para o português). A frase é dita sem parar durante no cinema. Depois, um chute na trave do queridinho do time Jonny Wilkinson fazer explodir um barulhento ‘Uhh’, onomatopeia conhecida de estádios de futebol.

Visualmente, a transmissão de um jogo em 3-D traz ao público efeitos conhecidos de quem já teve a oportunidade de assistir a um filme com este recurso, como Avatar, recente sucesso mundial de bilheteria. A câmera principal, de cima, acrescenta pouco a quem está acostumado a ver esporte pela TV. No entanto, as imagens de trás do campo e as tomadas laterais à margem do gramado pagam o ingresso.

“Nas câmeras das laterais, você tem a perspectiva real, como se estivesse sentado na primeira fileira do estádio. É incrível”, comentou após o jogo Mark Eubank, animado fã de rúgbi presente na sessão.

Na verdade, é até muito mais do que isso. Toda a plasticidade do rúgbi é transcendida nessas tomadas de dentro do campo. Com os óculos 3-D, o espectador vive de muito perto as disputas de bola no chão, em um dos esportes mais físicos que se conhece. A pancadaria, no sentido esportivo, está diante dos olhos. Um espetáculo de detalhes, de uniformes imundos, passando por machucados no rosto até o suor dos atletas.

No entanto, o conceito de três dimensões parece atingir seu apogeu, pelo menos numa transmissão de rúgbi, no momento do chute à trave. Na tomada de câmera posicionada atrás do jogador que chuta, a noção de profundidade impressiona. Se tiver uma imaginação poderosa, o espectador tem a nítida impressão de estar atrás do atleta.

Em um destes momentos, o repórter se flagra pensado como seria divertido ver em um ambiente 3-D, no Brasil, um dos grandes clássicos do futebol nacional ou um jogo de Copa do Mundo.

No jogo entre ingleses e irlandeses, ainda foi curioso para a turma dos óculos 3-D ver a movimentação da câmera equilibrada por cabos de aço em cima do campo. Em alguns momentos de deslocamento, ela parecia flutuar estar fora da tela.

Um lembrete necessário, já quase no final deste texto. Em matérias convencionais de eventos esportivos, as leis básicas do jornalismo pregam que o resultado seja reproduzido logo na primeira frase. Neste aqui, ele vem neste último parágrafo, como um detalhe a mais de um espetáculo novo e surpreendente. Em um jogo de reviravoltas, a Irlanda derrotou a Inglaterra por 20 a 16, com um try bem no fim (o evento também serviu para o repórter enfim aprender o que é um try, entre outras normas do rúgbi).

Fim de jogo no Twickenham Stadium e frustração da maioria inglesa, tanto no estádio de rúgbi no subúrbio de Londres, quanto no cinema do centro, a cerca de 18 km dali. Apesar do desânimo, alguns monitores jogam camisetas promocionais do evento. Uma delas cai na cabeça do repórter, que se sente sortudo com o souvenir de última hora.

Quando as luzes se acendem e os espectadores do cinema começam a deixar a sala, pisando em dezenas de copos de papel de cerveja e restos de doces, é hora das conclusões da experiência. Antes totalmente ignorante, a reportagem do UOL Esporte deixa o local com um pouco mais de informação a respeito do rúgbi e com a convicção de que esta é uma modalidade que pode, sim, ser muito divertida.

Fonte: UOL

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