Atlas do Rugby: Engenharia Mackenzie e Stormers


O segundo artigo do Atlas do Rugby traz 4 equipes: a equipe brasileira, representado pela Engenharia Mackenzie, e 3 equipes sul-africanas: o The Stormers, do Super 14, e as equipes da Currie Cup por ele representadas: o Western Province e o Boland Cavaliers.

obs.: a culpa pelo envio tardio do post é minha (HP) que fiquei de fazer a parte referente ao Mackenzie, equipe que defendi por 6 anos, que acabou atrasando devido obrigações profissionais nessa semana.

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Nome: Engenharia Mackenzie

Cidade/UF: São Paulo/SP

Local dos treinos: Praça do Obelisco, Parque do Ibirapuera, São Paulo

Origem: Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (Civil, Elétrica, Mecânica, Materiais)

Títulos (registros incompletos e disponíveis somente a partir de 1996, à exceção do torneio de 1981): 2 Campeonatos paulistas universitários(2004 e 2005), 8 Mac Meds (1996 a 2003), 6 Engenharíadas, 1 campeonato paulista segunda divisão (1981), 3 ESALMacks (19998, 2000), 2 Inter Eng (1999, 2000 – torneio que viria a ser o Engenharíadas).

Site: http://mackenzie.rugby.esp.br

A história do Rugby Mackenzie se confunde com a própria história do Rugby brasileiro, sendo uma das equipes mas antigas do país. Junto com a equipe da Medicina USP, time universitário mais antigo, fizeram o primeiro confronto universitário da história (em 1966, vitória da Med por 9 a 3), durante o torneio mais tradicional nesse meio, a Mac Med. A teoria mais aceita é de que o time surgiu por volta do começo dos anos 60. No livro de Tomás Mazzoni, “História do Futebol no Brasil” no entanto, (Edições Leia, 1950) existem evidências que o esporte era jogado no Mackenzie desde 1896, mas nesse tempo não havia faculdade ainda.

Pela equipe passaram personagens notórios do Rugby nacional, como Marcelo Murua (árbitro), João Nogueira (diretor do Rugby feminino) e Aluisio Dutra (presidente da ABR), Putim (jogador do São José, teve curta passagem em 2006), entre tantos outros que tiveram destaque em sua carreira de jogadores. O time da engenharia veste as cores da sua atlética, a A.A.A. Horácio Lane, azul e vermelha, e carrega no peito o seu mascote, o Popeye.

Composta principalmente por jogadores que jogavam o esporte em clubes tradicionais como SPAC, Rio Branco e Bandeirantes, o Mackenzie sempre conquistou muitos títulos e sempre foi um adversário respeitado, com destaque para os forwards, sempre muito pesados e fortes. Até o começo desse século alguns jogadores de outros cursos que não possuiam Rugby, encontravam no time da engenharia, um local para praticar o seu esporte, como Zinho e Dogo (Economia Mackenzie/Bandeirantes), João (Desenho Industrial/SPAC) e Gabriel Drummond(Ed. Física/Rio Branco).

A partir de 2003, com a expansão do Rugby universitário no estado, a equipe começou a sofrer com o curto período de treinamentos, sofrendo derrotas para as boas equipes da FAAP, Direito Mackenzie, Poli USP e Uni Sant’Anna. A virada ocorreu no ano segguinte, com a intensificação dos trienamentos que resultaram na conquista do título paulista de 2004, mantendo a série invicta por quase 1 ano, quebrada somente pela UNIP na final do campeonato seguinte.

Em 2005, a equipes sagrou-se campeã novamente, sobre a UNIP em jogo disputado no Constâncio Vaz Guimarães. Nessa época, muitos jogadores, entre eles HP (Daniel Venturole), Matheus (Carlos Felipe), Mauá (Bruno Fedeli), Huguinho (João Zambrana), Schwarz (Rogério Karltenbarcher), Orelha (Rogério de Mari), Jaqueta (Lucas Andrade), Obelix (Daniel de Oliveira) e Monstro (Danilo), disputaram campeonatos (em especial o Super 8) também pela equipe do pub O’Malleys, que patrocinava o time desde a época em que se chamava Finnegan’s (filial do original).

Esse foi o último título realmente expressivo para a equipe, que passou por um grande desmanche (muitos jogadores migraram para outras faculdades, como Gabriel, Medusa (Alexandre Zandoná), Júlio e He Man (Marcos Prado) – UNIP, Matheus e Chuck (Fernando) – UniSant’Anna, Tadeu (Marsal Tadeu) – FMU, Girino (Pedro Avelino) – PUC Rio, outros que se formaram – Huguinho, Ruffus (Fábio Guariglia), Thiago e Bié (Gabriel Silberschmidt) e a equipe por pouco não acabou, mas lutava para encontrar 15 jogadores, chegando a perder de WO para o combinado Puma (Direito PUC e Direito Mackenzie), no episódio que é provavelmente a maior vergonha da história da equipe.

A partir de 2008, com especial crédito para Sujo (Thiago Imparato), jogador desde 1999, a equipe voltou a se reerguer, conseguindo muitos alunos interessados em participar da equipe e com raça de sobra para levar o legado de vitórias da equipe adiante. O grande trabalho foi recompensado recentemente com o título da segunda divisão universitária em São Paulo em 2009, que pode colocar a equipe entre os grandes do estado novamente no próximo semestre.

OBS.: como podem ver, muito da história da equipe corre o risco de se perder para sempre, então peço a todos que conheçam alguém que jogou pelo Mackenzie, que contribua, seja mencionando títulos conquistados, enviando fotos (de jogadores e de uniformes), relacionando jogadores de sua época, e contandoa história passada da equipe. Envie qualquer informação para blogdorugby@gmail.com.

stormers rugby logo

Nome: The Stormers

Cidade/País: Cidade do Cabo, África do Sul

Estádio: Newlands Stadium (capacidade: 50.900)

Títulos de Super Rugby: nenhum

Equipes da Currie Cup: Western Province (Cidade do Cabo) e Boland Cavaliers (Wellington)

Títulos de Currie Cup: 32 do Western Province

Sites: www.thestormers.com

Em 1996, com a criação do Super 12, os sul-africanos entraram na competição com 4 equipes, utilizando-se do campeonato nacional como critério classificatório. Sendo assim, o sistema de franquias ainda não vigorava na África do Sul (só seria instituído para a temporada de 1998). Em 1996, o Western Province participou do torneio. Todavia, em 1997, não houve representantes da região do Cabo no Super 12.

Com a instituição das franquias, em 1998, o Western Stormers passou a ser um dos representantes anuais da África do Sul no certame. Os Stormers passaram a respresentar 3 equipes da Currie Cup: Western Province (da Cidade do Cabo), Boland Cavaliers (de Wellington, cidade da famosa região vinícola do Cabo) e o South West Districts Eagles (de George, cidade costeira do sul da província do Cabo). Contudo, os Eagles deixaram a franquia em 2006. Decerto é a equipe do Western Province a dominante dentro da franquia – com a Cidade do Cabo servindo de casa para a agremiação – tendo, acrescente-se, sido 32 vezes campeã sul-africana (a maior campeã da Currie Cup).

Em contrapartida, no Super 14 os Stormers ainda não vingaram. Os melhores resultados do time do Cabo foram duas semi-finais, em 1999 e em 2004. A despeito de terem por anos dominado o rugby doméstico, os Stormers sequer são os mais fortes do país no Super 12/14, uma vez que são os Blues e os Sharks que têm os resultados mais expressivos.

A identificação dos Stormers com o Western Province é hoje uma questão importante. A equipe que antes usava uniforme preto, a partir de 2007 passou a usar o azul, mesma cor do WP. Devido ao patrocinador, a franquia é chamada de Vodacom Stormers.

Os grandes jogadores do elenco atual são Schalk Burger, um dos melhores asas do mundo, e Enrico Januaire, ambos dos Springboks. Outros internacionais passaram pelo time das tormentas, entre eles De Wet Barry, Bobby Skinstad, Gaffie Du Toit, Joe van Niekerk e Breyton Paulse.

western province

Nome: Western Province Rugby

Cidade/País: Cidade do Cabo/África do Sul

Títulos: 32 Currie Cup

Estádio: Newlands Stadium (capacidade: 50.900)

Site: www.wprugby.com

Fundada em 1883, a Western Rugby Union – que depois recebeu o acréscimo no nome tornando-se a Western Province – foi o primeiro lugar na África do Sul a praticar o rugby. Foi a partir da Cidade do Cabo que o rugby se difundiu pela África do Sul.

Logo da constituição da Currie Cup, em 1889, a equipe passou a dominar o cenário nacional, alimentada por brilhantes jogadores provenientes da Cidade do Cabo, arredores e, sobretudo, da Stellenbosch Univerisity e da Cape Town University. Sem dúvida, o maior nome da história de Western Province foi Danie Craven, tido por muitos como o maior nome da história dos Springboks, não só como jogador (na década de 30), mas sobretudo como técnico (nas décadas de 40 e 50) e dirigente (até 1993). No total, ao longo de sua história, a Western Province produziu mais de 200 Springboks, sendo mais de 60 saídos da universidade de Stellenbosch.

Após dominar o rugby nacional até os anos 30, o WP viu a ascensão de seu grande rival, o Northern Transvaal (hoje Blue Bulls), de Pretória, contra os quais até hoje disputam o mais acirrado clássico sul-africano. Os “camisas listradas” – alusão ao tradicional uniforme listrado na horizontal em azul e branco – voltaram a dominar a Currie Cup nos anos 80, até começar a declinar lentamente. Com o fim do Apartheid na década de 90, muitas das equipes da Currie Cup tiveram que mudar seus nomes (como o Northern Transvaal), sendo que o único a manter o nome original foi o Western Province. Seu último título nacional foi em 2001, o 32º, o que faz dos homens do Cabo os mais vitoriosos do país.

Boland Cavaliers

Boland Cavaliers

Estádio: Boland Rugby Stadium (capacidade 3.500)

Site: www.bolandrugby.com

Boland é, em linhas gerais, o interior da Província do Cabo, região agrícola famosa por seus vinhedos, pelo clima mediterrânico e por ser a terra da famosa universidade de Stellenbosch, a “Universidade do Rugby” sul-africano. No entanto, o Stellenbosch se tornou o grande celeiro do Western Province, e não de Boland, cuja união independente foi fundada apenas em 1939. Mesmo assim, à sombra de Western Province, a tradição que a região tem com a bola oval vem lhes garantindo equipes de qualidade suficiente para permanecer na elite do rugby sul-africano.

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